Artigos
A Hora do Planeta
27/03/10
A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas.
No sábado, dia 27 de março de 2010, às 20h30, pessoas, empresas, comunidades e governo são convidados a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global.
Em 2009, milhões de brasileiros apagaram as suas luzes e mostraram que sua preocupação com o aquecimento global. No total 113 cidades brasileiras, incluindo 13 capitais, participaram da Hora do Planeta 2009. Ícones como o Cristo Redentor, a Ponte Estaiada, o Congresso Nacional e o Teatro Amazonas ficaram no escuro por sessenta minutos.
Em 2010, vamos tornar esse movimento ainda maior. Visite o site http://www.horadoplaneta.org.br e participe!
Stress dos Peixes
28/02/10
Adaptado de estudo de R.W. Rottmann, R. Francis-Floyd, and R. Durborow
STRESS
Stress fisiológico e feridas são os principais fatores para doença e mortalidade dos peixes. Stress é definido como o conjunto de fatores químicos ou físicos que determinam reações corporais que podem contribuir para doença ou morte. Muitos dos patógenos que causam doenças nos peixes estão continuamente presentes na água, substrato, ar ou mesmo nos próprios peixes. Na natureza, os peixes são normalmente resistentes a eles e são capazes de procurar as melhores condições de sobrevivência. No ambiente artificial de nossos aquários, são enfraquecidos por condições estressantes, tais como maior densidade de peixes e parâmetros insatisfatórios da água (ou seja, pouco oxigênio dissolvido, temperatura indesejável, níveis elevados de pH, níveis elevados de dióxido de carbono, amônia, nitrito, matéria orgânica), ferimentos por manuseio, inadequada nutrição e higiene.
Essa condições podem resultar em baixa da resistência, determinando o desenvolvimento de doenças e infestação de parasitas. O stress e os ferimentos acionam uma reação de alarme (resposta de luta ou fuga), que provoca uma série de alterações no peixe. Uma elevação do açúcar no sangue decorre de uma secreção hormonal da glândula adrenal. Isso produz uma explosão de energia que prepara o animal para uma situação de emergência. Adicionalmente, a resposta inflamatória, uma defesa utilizada pelos peixes contra organismos invasores, é suprimida pelos hormônios. O equilíbrio da água no peixe (osmoregulagem) é quebrado, devido a alterações no metabolismo dos minerais. Sob tais circunstâncias os peixes de água doce absorvem quantidades excessivas de água do ambiente, se superidratam. Essa quebra, aumenta os requisitos de energia para a osmoregulagem. A respiração aumenta, a pressão sanguínea também e células vermelhas de reserva são liberadas na corrente sanguínea.
Os peixes são capazes de se adaptar aos stress por um período de tempo. Eles podem parecer e agir normalmente. Entretanto as reservas de energia estão sendo esgotadas, e um desbalanço hormonal ocorre, suprimindo seu sistema imune e aumentando sua suscetibilidade a doenças infecciosas.
DEFESAS CONTRA INFECÇÃO
Muco
Muco, a camada de muco que recobre a pele e que serve também para diminuir o atrito com a água, é a primeira barreira de defesa física que inibe a entrada de organismos patológicos. É também uma barreira química, contendo enzimas e anticorpos que podem matar organismos invasores. O muco é importante para a osmoregulagem. Ferimentos determinados por manuseio e certos químicos na água (condições inadequadas, remédios aplicados) removem ou enfraquecem a camada de muco, reduzindo sua competência contra infecções, exatamente quando seria mais necessária. Menor lubrificação faz com que o peixe dispenda maior energia para movimentar-se, em uma condição em que as reservas de energia estão comprometidas.
Escamas e pele
Escamas são outra barreira física, que protege o peixe. Elas são machucadas principalmente por manipulação, superfícies ásperas nos aquários ou por lutas entre eles, causadas por superpopulação ou mecanismos reprodutivos. Infestações de parasitas podem determinar prejuízos para as guelras, pele, nadadeiras e a perda de escamas. Estragos na pele e escamas dos peixes podem aumentar sua suscetibilidade a infecção. Também provocam excessiva absorção de água pelos peixes de água doce. Peixes que estão pesadamente infestados por parasitas podem morrer de infecções bacteriológicas que ingressam através de ferimentos na pele.
Inflamação
Inflamação é uma resposta imune natural das células a uma proteína estranha, tais como bactérias, fungos, virus, parasitas ou toxinas. Inflamação é caracterizada por inchaço, vermelhidão e perda de função. É uma resposta protetora, uma tentativa do corpo de manter fora e destruir o invasor. Qualquer stress causa alterações hormonais e diminui a efetividade da resposta inflamatória. Stress por temperatura, principalmente baixas temperaturas, pode sustar completamente a atividade do sistema imune, eliminando esta defesa contra organimos patológicos invasores. Temperaturas muito elevadas também comprometem a habilidade do peixe em lidar com infecções, além de favorecer a aceleração do desenvolvimento de determinados patógenos. Além disso, diminui a capacidade da água de reter oxigênio, aumenta a taxa de metabolismo e a demanda por oxigênio do peixe.
Anticorpos
Diferentemente da inflamação e outras formas de proteção não específicas, os anticorpos são compostos formados pelo corpo para lutar com proteínas e organismos específicos. A primeira exposição resulta na formação de anticorpos pelo peixe, que o auxiliarão a se proteger de futuras infecções do mesmo organismo. Exposição a concentrações sub letais de patógenos são importantes para que o peixe desenvolva um sistema imune competente. Animais criados em um ambiente estérial terão pouca proteção contra a doença. Animais jovens podem não ter uma resposta imune tão competente quanto os mais velhos. Stress compromete a produção e liberação de anticorpos. Stress de temperatura, particularmente de rápidas alterações na temperatura, limita severamente a capacidade do peixe de liberar anticorpos, dando ao invasor tempo para se reproduzir e dominar. Stress prolongado reduz a efetividade do sistema imune, aumentando as oportunidades para organismos causadores de doenças.
Prevenção de doenças
Numerosos livros e artigos foram escritos sobre o diagnóstico e tratamento de doenças específicas. Há inclusive sites em que o diagnóstico é feito de forma interativa. Entretanto, a prevenção, através de boas práticas é o melhor controle para minimizar os problemas de doenças e as mortes de peixes.
Bom manejo envolve a manutenção de uma boa qualidade de água, prevenção de ferimentos e stress durante a manipulação e o emprego de medidas adequadas de limpeza e higiene.
PRÁTICAS QUE AUXILIAM NA PREVENÇÃO DO STRESS
Água
- não exceda a capacidade do aquário em lotação de peixes;
- monitore e teste os parâmetros de qualidade da água, principalmente, temperatura, pH, amônia;
- mantenha os níveis de oxigênio dissolvido acima de 5 mg/l (taxas insatisfatórias de oxigênio, embora não imediatamente letais, estressam os peixes, resultando em mortalidade postergada);
- elimine os acúmulos de resíduos orgânicos, sobras de alimentos, dióxido de carbono dos aquários;
- mantenha faixas adequadas de pH, alcalinidade e temperatura conforme a espécie;
Transporte e manipulação
- utilize redes macias para capturar e transferir peixes;
- velocidade e gentileza, quando manipulando peixes, são da maior importância;
- diminua o quantidade de vezes em que os peixes são retirados da água e trabalhe tão depressa quanto possível quando transferindo peixes;
- sal pode ser utilizado, na base de uma colher de sopa para cada quatro litros de água, na água de transporte, para minimizar a desregulação osmótica e a infecção bacteriana;
- evite alteração de temperatura da água durante o transporte;
Nutrição
- forneça uma dieta de alta qualidade, que atenda aos requisitos nutricionais da espécie;
- utilize uma taxa adequada de alimentação, tanto superalimentar como subalimentar são prejudiciais;
- armazene o alimento em um local fresco e seco, para evitar degradação;
Limpeza
- utilize boas práticas de limpeza em aquários e equipamentos;
- remova os peixes mortos tão logo sejam detectados
- descarte adequadamente os peixes mortos, evitando que retransmitam doenças;
- quarentene novos peixes, inclusive as redes e equipamentos neles utilizados.
CONSIDERAÇÕES
STRESS, direta ou indiretamente, é a principal causa de morte dos peixes de aquário. É preciso saber o que o causa para evitar que ocorra.
Os peixes possuem uma “faixa de conforto” que corresponde às condições em que vivem na Natureza, os desvios dessa faixa normalmente os estressam.
Peixes saudáveis são glutões por natureza, quando seus peixes deixarem de correr para a comida, mesmo que pareçam bem, procure analisar as condições dos aquários.
Quando um peixe fica doente por algum fator estressante ter diminuído suas defesas naturais, pouco adianta medicá-lo e mantê-lo no mesmo ambiente inapropriado. Trate do stress juntamente com a doença.
CONCLUSÃO
O stress compromete as defesas naturais dos peixes contra organismos que provocam doenças. Quando ocorrer doença, os fatores relacionados ao stress, bem como o organismo que a causou, devem ser identificados.
A correção das causas de stress deve preceder ou acompanhar qualquer tratamento de doenças. O tratamento de uma doença é somente uma forma artificial de retardar seus efeitos, de modo que o sistema imune do peixe possa responder.
Fonte: Portal Netuno
A importância do monitoramento dos parâmetros da água
27/02/10
A importância do monitoramento dos parâmetros da água
Texto: Caio Bianco
Ter um aquário, ou ser um aquarista não se resume apenas em colocar água e peixes em um recipiente de vidro. A arte do aquarismo vai bem além disso, e nesse pequeno artigo, veremos de forma resumida os principais parâmetros da água podem afetar a vida dos peixes e dos organismos vivos que nela habitam.
Oxigênio
Os organismos vivos utilizam o oxigênio para a respiração e produção de energia. No aquário esse oxigênio se dissolve na água através do contato com o ar, sendo utilizado então pelos peixes, bactérias nitrificantes (bactérias benéficas) e plantas. Quanto mais agitada a superfície da água, maior será a troca gasosa com o ar e maior será a quantidade de oxigênio que entrará na água. Outra forma de aumento da quantidade de oxigênio dissolvido na água é pela fotossíntese das plantas.
Os peixes absorvem o oxigênio pelas brânquias e se a quantidade de oxigênio não for suficiente sua saúde pode ser afetada causando até a morte do peixe. Já que o peixe consome oxigênio na respiração, a tendência é que o oxigênio diminua com o passar das horas. As bactérias nitrificantes também consomem muito oxigênio para “quebrar” a matéria orgânica acumulada na água do aquário. Todo esse consumo de oxigênio deve ser compensado por uma boa aeração do filtro ou por uma bomba dedicada a essa tarefa. Um aquário com 4mg/l de oxigênio dissolvido está dentro dos padrões mínimos aceitáveis para a maioria das espécies de peixes. O oxigênio dissolvido não é um fator que deve causar pânico ao aquarista, pois dificilmente um aquário apresenta problemas por esse motivo, já que os filtros mais modernos cumprem muito bem o seu papel na oxigenação.
Dióxido de Carbono
O Dióxido de Carbono (CO2) é liberado na água como subproduto da respiração de plantas (é, planta também respira) e peixes. É um parâmetro muito importante que deve ser observado principalmente em aquários plantados porque ele é fundamental para a fotossíntese das plantas. Em níveis muito altos, o Dióxido de Carbônico pode matar os peixes intoxicados e em níveis muito baixos as plantas irão morrer por não conseguirem fazer a fotossíntese. Aquariastas que não possuem plantas naturais em seus aquários devem apenas se preocupar em manter uma boa movimentação na superfície da água, pois de mesma forma que o oxigênio, o CO2 consegue sair da água quando em contato com o ar. O ph da água (veremos mais a frente) também é afetado pala quantidade de CO2 dissolvido na água e, quanto maior for essa quantidade menor será o pH.
Cloro
A água encanada das cidades possui cloro para que possíveis bactérias possam ser mortas e a água fique saudável para o consumo humano. Por outro lado, o Cloro no aquário é extremamente tóxico para os peixes e pode matar as bactérias nitrificantes destruindo o equilíbrio biológico do aquário. Por isso, nunca adicione água de torneira diretamente no aquário e sempre faça o teste de Cloro para verificar se a água está realmente sem esse gás. Caso seja constatada a presença do Cloro na água, utilize produtos removedores de Cloro ou deixe a água descansando em um recipiente por 48h que o Cloro sairá da água naturalmente.
Amônia
Os compostos orgânicos como resto de comida, fezes e urina dos peixes, folhas ou peixes mortos, formam rapidamente a Amônia (NH3). Esse composto químico é terrivelmente tóxico aos peixes, níveis de 0,02 mg/l podem ser tóxicos aos peixes a longo prazo e níveis maiores do que 0,02mg/l poderão matar os peixes em pouco tempo, questão de horas. A Amônia pode causar nos peixes a destruição das brânquias, dificuldade na respiração, destruição da camada de muco protetora da pele, sangramentos internos e externos, doenças, natação irregular, e suicídio (quando o peixe pula para fora do aquário). O desejado é que a Amônia fique sempre ausente na água do aquário, por isso utilize testes de Amônia freqüentemente e caso o teste de valores alterados procede imediatamente uma troca parcial de água de pelo menos 50% e tente descobrir o que está ocasionando essa alta na Amônia.
Nitrito
As bactérias nitrificantes (Nitrosomonas spp.) presentes no filtro biológico do aquário utilizam o oxigênio e convertem a Amônia para um composto bem menos tóxico, o Nitrito (NO2). Apesar de o Nitrito ser menos tóxico que a Amônia, ele ainda é perigoso na água do aquário e também pode ocasionar a morte dos peixes. É normal observar um aumento no Nitrito (curtos períodos) em aquários novos e quando peixes são adicionados ao aquário. Níveis letais desse composto irão variar muito para cada espécie de peixes, mas em geral, níveis acima de 0,2mg/l podem ser mortais. O envenenamento por Nitrito tem, como um dos sintomas, problemas na respiração do peixe.
Nitrato
O Nitrato (NO3) é o resultado da conversão do Nitrito pelas bactérias benéficas do aquário e é o produto final da filtragem biológica. Da mesma forma que a Amônia é convertida pelas bactérias Nitrosomonas spp. em Nitrito, as bactérias Nitrobacter spp convertem o Nitrito em Nitrato. O Nitrato é bem menos tóxico que a Amônia e o Nitrito, mesmo assim, em altas concentrações pode ser prejudicial aos peixes. As maiorias dos peixes possuem uma tolerância ao Nitrato que varia de 50 a 250mg/l, mas existem peixes que conseguem tolerar níveis mais altos ainda. A saúde dos peixes é afetada de forma indireta pelo Nitrato. Em altas concentrações desse composto, o peixe pode ficar estressado diminuindo assim a sua imunidade natural a doenças. Com o tempo, a água do aquário vai ficando com cada vez mais quantidade de Nitrato e esse composto não consegue sair da água por ação do filtro biológico. A forma mais fácil de diminuir a quantidade de Nitrato na água é com a troca parcial de água, a famosa TPA. Dessa forma, removendo uma parte da água e completando com água nova, o nitrato restante no aquário será diluído diminuindo assim a sua concentração. O carvão ativado não consegue remover o Nitrato ou outros íons na água do aquário. A Zeolita pode ser utilizada para esse fim.
pH
Entramos agora no estudo do pH, com certeza o primeiro parâmetro químico que todo o aquarista toma conhecimento. Cada espécie de peixe prefere um certo pH, que normalmente é o mesmo do encontrado em seu habitat natural. A escala de pH, varia de 1 a 14 onde o valor de 7 é chamado de pH neutro. Qualquer valor acima de 7 torna a água cada vez mais alcalina e, valores abaixo de 7 deixam a água acida. Peixes como os Ciclídeos Africanos, preferem água alcalina, ou seja, com pH mais alto que 7 e peixes como os Acarás Bandeira e Acarás Discus já gostam de água acida, com o pH abaixo de 7. Alguns peixes até se acostumam vivendo em pH diferente do de seu habitat natural, mas nunca viverão de forma “feliz” e não irão apresentar suas melhores cores e ainda poderão ficar mais suscetíveis a doenças. O monitoramento do pH deve ser feito tanto na água do aquário, para verificar se está de acordo com os peixes presentes nele, como deve ser feita também na água das trocas parciais, que também devem estar no mesmo pH do aquário. Caso seja necessário corrigir o pH tanto para cima como para baixo, basta adquirir produtos corretivos específicos para esse fim.
Temperatura
Os cuidados com os parâmetros da água, não se restringem a parâmetros químicos. A temperatura é um parâmetro que, apesar de não ser químico, é de vital importância para o aquário. Uma variação brusca na temperatura da água pode ser muito prejudicial a vida no aquário. Cada espécie de peixe prefere uma faixa de temperatura, tome cuidado para não misturar peixes de temperaturas diferentes (isso serve também para o pH). Aquários de peixes tropicais, devem obrigatoriamente possuir um aquecedor para que a variação de temperatura seja a mínima. Para que se possa controlar a temperatura é preciso também de um termômetro que irá medir a temperatura atual da água. Nas trocas parciais de água, evite colocar a água nova em uma temperatura muito diferente da encontrada no aquário, principalmente no inverno onde a água de torneira se encontra em uma temperatura bem abaixo da maioria dos aquários.
Como vimos, o controle dos parâmetros da água são de fundamental importância para um aquário bem sucedido. Com um pouco de conhecimento e com os equipamentos e produtos corretos, essa tarefa se torna muito fácil e prazerosa de ser feita.
Fonte: Cubos

